quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Aldeia Marçal de Souza recebe Memorial da Cultura Indígena reformado

reforma_memorial_indigena_cg_ms-2018-1.jpg

Campo Grande, 27/03/2018 – Foi com a Dança da Ema – tradicional dança terena masculina, que representa a vitória dos guerreiros – que os Indígenas do Povo Terena da Aldeia Marçal de Souza, primeira e maior aldeia em área urbana do país, receberam de volta o Memorial da Cultura Indígena totalmente reformado.

Parado há cerca de cinco anos, o local que foi o maior sonho da cacique Enir Bezerra da Silva – primeira mulher cacique de Mato Grosso do Sul – estava abandonado e sem utilização. Com parceria do Governo do Canadá, a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Subsecretaria de Políticas Públicas para a Mulher e Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos promoveu a reforma e revitalização do local.

“Minha mãe, a Enir Bezerra, foi a fundadora da comunidade e sonhou esse local. Por isso, a alegria de hoje estar aqui reinaugurando esse espaço, que ficou fechado por quase cinco anos. Voltamos a ter vida para o mundo. Desde 2001, quando foi inaugurado o Memorial da Cultura Indígena, trabalhamos a manutenção da nossa cultura, mas aos poucos foi se acabando, e hoje estamos conseguindo reerguer. Graças a Prefeitura e a Embaixada do Canadá, estamos recebendo o espaço todo revitalizado. Devolvendo a autoestima para o nosso povo”, disse o cacique Daniel da Silva.

O recurso de 35 mil dólares canadenses, que na época do repasse (outubro de 2017) correspondeu a cerca de R$ 80 mil, foi repassado diretamente para o Comitê Intertribal (organização não governamental), que foi quem geriu todo o valor. Foram trocadas as palhas do teto, colocada nova cerca na área, feita a reforma dos banheiros e um novo jardim. Já a empresa MRV contribuiu com as tintas para pintura do prédio.

O projeto também promoverá a reabertura do Bazar de Artesanato. Será realização de cursos contínuos de Dança, Música e Artes Indígenas para todas as comunidades de Campo Grande. Haverá ainda a continuidade ao programa de qualificação da população indígena urbana do Município.

 

Para o prefeito Marquinhos Trad, nada seria possível sem o apoio de todos os envolvidos e, principalmente, do Canadá.

“Nosso museu não teria como recepcionar os turistas da maneira como estava. Recebemos a ajuda do exterior – do Canadá – e hoje estamos devolvendo um pouco da historia, da cultura da etnia dos indígenas. Quando vimos a burocracia que seria revitalizar todo este espaço, em nível nacional, chegamos a conclusão que dificilmente nós conseguiríamos ainda na nossa gestão entregá-lo à nossa cidade. Não por falta de boa vontade dos governos, mas por entraves administrativos. Essa reforma que o senhor (Embaixador Riccardo Savone) nos trouxe, através de vários apelos, é o sinônimo de que quando as pessoas plantam a credibilidade e a honestidade, colhem a rapidez e a eficiência”, disse.

O embaixador do Canadá, Riccardo Savone, contou ter ficado impressionado com a comunidade e se viu na obrigação de ajudar.

“Eu visitei aqui há um ano e conheci um pouco da aldeia, da vida dos indígenas e reconheci que eles têm a mesma vida que os indígenas do Canadá. Precisamos ter o mesmo cuidado com as comunidades tradicionais de lá, com as daqui do Brasil, com as do mundo inteiro. Quando vimos isso, percebemos que poderíamos ajudar. Temos um fundo pequeno, mas especifico para apoiar iniciativas nas comunidades. Nosso investimento aqui foi muito pequeno. A parceria é o que importa aqui”, afirmou o embaixador.

Mural do Memorial da Cultura Indígena

Como parte das atividades de revitalização, o Memorial da Cultura Indígena ganhou um mural com um pouco da sua história. Com 30 metros de extensão, o mural foi produzido pela artista plástica canadense Fanny-Pierre Galarneau com jovens indígenas. O mural representa a união das culturas indígenas canadenses e brasileiras e homenageia a figura de Enir Bezerra. Foi primeira cacique mulher do Brasil e fundadora da Aldeia Urbana Marçal de Souza.

Mural

“Eu tenho essa paixão de pintar e há muitos anos trabalho em escolas indígenas, na região onde eu moro,no Canadá. São projetos independentes feitos diretamente com a comunidade. Acredito muito na importância da juventude indígena. São pessoas que têm a responsabilidade de levar de volta a cultura. Eu procuro usar o meu trabalho como instrumento para eles afirmarem a própria identidade. O trabalho foi feito por eles. Eles escolheram as ideias, desenharam. Eu só compartilhei um pouco do que sei”, disse.

O Memorial da Cultura Indígena foi criado em 30 de agosto de 1999, como centro de valorização e promoção dos Povos em Campo Grande. No período de 2012 a 2016 sofreu um processo de degradação. Em 1º de Janeiro de 2017, o Memorial foi transferido para a recém-criada Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A Subsecretaria da Mulher passou a promover cursos de economia doméstica às mulheres da Aldeia Urbana Marçal de Souza.

A Aldeia Marçal de Souza, tem 140 casas abriga Indígenas do Povo Terena. É a primeira do gênero a ser construída no Brasil. O nome é uma homenagem ao Indígena Guarani-Ãndeva, defensor dos direitos do seu Povo. Foi assassinado na Aldeia Campestre, no Sul do Estado, em 1983.

Mato Grosso do Sul possui a segunda maior população Indígena do Brasil, com mais  de 77 mil Indivíduos. Distribuída entre oito Povos, Guarani-Kaiowá, Guarani-Ãndeva, Terena, Kadiwéu ou Guaicuru, Ofaié, Guató, Kinikinau e o Povo Atikum oriundo do Estado do Pernambuco. Atualmente, vivem em Campo Grande mais de 12 mil Indígenas segundo lideraças local. Moram em quatro Aldeias sendo elas Marçal de Souza, Darci Ribeiro, Tarsila do Amaral, Água Bonita. Entre outros aglomerados espalhados pela periferia do Município.

Fonte: CGNotícias – Agência Municipal de Notícias de Campo Grande

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × quatro =

Top