segunda-feira, 22 de julho de 2019

Índios fazem Secretária Nacional de Saúde Indígena de refém

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Silvia Nobre Waiãpi, Secretária Nacional da Saúde Indígena (Foto: Wilian Meira)

Silvia Nobre Waiãpi, Secretária Nacional da Saúde Indígena (Foto: Wilian Meira)

Um grupo de cerca de 50 homens indígenas armados com bordunas e três mulheres  fez a Secretária Nacional da Saúde Indígena, Silvia Nobre Waiãpi de refém nesta terça-feira (9).

Os indígenas deixaram Silvia Waiãpi em cárcere privado com o objetivo de forçar ela a contratar a empresa Intercept em um contrato de R$ 21 milhões sem licitação através de um contrato emergencial. Esta empresa já está prestando serviço público sem licitação pelo menos desde 2017, quando foi firmado o contrato 08/2017 de R$ 11 milhões. Desde então, os contratos vem sendo renovados pelo método de contratos emergenciais, ao contrário do que diz a Lei 8666, que dispõe sobre as licitações. E as estratégias tem sido sempre as mesmas, mandar os indígenas ocupar os locais públicos, os usando como massa de manobra para descumprir as leis, estratégias que funcionaram bem nos governos do PT, mas que não devem funcionar no governo Bolsonaro.

“Eles me trancaram. Não me deixaram sair. Eu tentei abrir a porta e os homens bloqueavam a porta. Tive que fugir pois estavam me ameaçando. O que vai fazer uma mulher sozinha contra 50 homens armados com bordunas na mão?”, disse a Secretária Nacional da Saúde Indígena (Sesai), Silvia Nobre Waiãpi.

A Secretária disse ainda que não vai assinar contratos emergenciais que contem graves indícios de irregularidades. O Brasil mudou. A saúde dos nossos povos indígenas é prioridade, mas vamos fazer da forma correta”, completa a Secretária.

“Não posso ficar assinando contratos emergenciais, cujos seus responsáveis não fizeram licitação a tempo para forçar justamente contratos emergenciais onde não há participação de ampla concorrência. Neste caso por exemplo, o Distrito local fez uma primeira proposta de um contrato de R$ 35 milhões, nós não aceitamos e eles baixaram para R$ 21 milhões, uma diferença de R$ 14 milhões. “Para onde vai esse dinheiro?”, questionou a Secretária.

Outro Lado

Em um vídeo que circula pelas redes sociais, a líder do movimento que está ocupando a Sesai, Andréia de Fátima Fernandes fez ameaças a Secretária. “Em momento nenhum eu a sequestrei. Porque se fosse um sequestro a senhora não teria saído da sala e não teria ido no banheiro e fugido”, disse Andreia, casada com um dos líderes da ONG ARPINSUL, Romancil Cretã, que recebeu milhões de reais em recursos durante os governos Lula e Dilma. “Se a senhora não sai, nós vamos tirar, a força”, ameaçou Andréia.

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