sábado, 19 de outubro de 2019

Povo Tembé mantém tradição e promove Festa da Menina Moça

Teko2-2.jpg

A importância da preservação do meio ambiente foi a mensagem que jovens indígenas do povo Tembé transmitiram durante a semana que marcou, no final de agosto, mais uma edição da Festa da Menina Moça, na aldeia Tekohaw da Terra Indígena Alto Rio Guamá-PA.

“Sem floresta e água limpa nosso povo não terá futuro”, bradou um jovem indígena diante de convidados, incluindo lideranças de outras aldeias e não indígenas que participaram do evento prestigiado por mais de 400 pessoas, também conhecido como Festa do Moqueado.

“O fortalecimento cultural exposto pelos índios, além das mensagens que também reforçaram a importância da luta pelos seus direitos assegurados em leis, é sempre importante para que os Tembé mantenham suas tradições”, diz Shirleno Rodrigues Paes, chefe da Coordenação Técnica Local da Funai sediada em Belém. Ele participou do evento ao lado do indigenista especializado e engenheiro agrônomo Eliezo Silva e de Richelly Costa, chefe do Núcleo de Apoio Técnico, lotados na mesma unidade.

CÂNTICOS

Em uma semana de festa, jovens e velhos Tembé não conseguiriam entoar cânticos tradicionais dia e noite sem a ajuda de goles de gengibre misturado a caldo de cana. “O gengibre é o melhor remédio para garganta”, assegura Sérgio Muxi, cacique da aldeia Tekohaw.

O ritmo da Festa da Menina Moça foi acelerado na sexta-feira, 23, quando as jovens Tembé foram pintadas com jenipapo, o que ocorreu com outros convidados que participaram do evento, como forma de agradecimento. No sábado, já com o corpo tisnado de negro, elas dançaram diante de um público muito maior, já que boa parte dos participantes da festa chegou ao Tekohaw na sexta-feira.

Festa do Mingau é outra denominação dada à Festa da Menina Moça. Seguindo a tradição, as indígenas que chegaram à mocidade ficaram durante pelo menos dois dias à beira de tachos onde o kawy – como é conhecido o mingau na língua Tembé Tenetehara, tronco linguístico Tupi – foi servido aos visitantes.

O kawy não foi servido durante os festejos à noite, regado apenas a chibé durante os cânticos e rodas de dança. Mas nem por isso a semana das novas moças foi sossegado. Elas participaram de quase todas as atividades da festa, sem reclamar e demonstrar cansaço. O vigor físico é adquirido no dia-a-dia das aldeias. Além de estudarem, as indígenas ajudam os pais nas tarefas de casa e no cultivo de roças de subsistência.

Fonte: CTL em Belém via Assessoria Funai

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dez + 3 =

Top