sexta-feira, 14 de maio de 2021

Artesã desde criança, dona Dina valoriza cultura indígena e ainda garante sustento para sua casa.

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Dona Dina Sebastião Mendes, 53 anos, indígena do Povo Terena reside na Terra Indígena (TI) Cachoeirinha, localizada no município de Miranda distante 206 km da Capital. Artesã ceramista Dina, como prefere ser chamada, trabalha com o barro desde os 10 anos, quando aprendeu a confeccionar utensílio de cozinha com sua Avó materna e com sua mãe Dona Araci hoje com 80 anos. Dina conta que na época que aprendeu a arte com a Avó, as famílias na Aldeia usavam muito estes utensílios na cozinha, como: Panela de barro, prato, copo, pote, moringa fruteiras entre outros, pois não usavam utensílios industrializados, pois os mesmos não chegavam à Aldeia. Além das peças de cozinha, aprendeu a fazer vasos e pequenas peças que representa animais silvestres e aves que são usados como decoração.

Ao passar do tempo, Dina ainda produz muito das artes que aprendeu ainda criança. Hoje as peças produzidas por ela é revertido em renda para ajudar no orçamento da casa. Em período de produção confecciona até 12 objetos por semana, (foto 3). Expõe seus produtos no Memorial da Cultura Indígenas, localizado na Aldeia Marçal de Souza e na Casa do Artesão, na Capital e na Casa da Cultural Terena na entrada de Miranda na BR 262.

O Ganho

Segundo Dina as cerâmicas rende média de R$ 500,00 mensais, renda que ajuda nas contas de casa, destaca. Quando é perguntada sobre sua participação no 18° Festival de Inverno de Bonito, reponde com um sorriso no rosto que tem vontade sim de participar, pois já participou de uma edição a mais de 12 anos, e diz que é muito bom, pois tem a oportunidade de expor sua arte e ainda rende uma boa renda para a Família. Além do barro que usa para produzir as cerâmicas, usa a madeira como matéria prima para produção de arco e flecha.

Dina é casada com Seu Quintino, mãe de quatro filhos. Três homens e uma mulher tem três netos dois meninos e uma menina. Reside na Aldeia Cachoeirinha distante média de 14 km de Miranda. Mora com o esposo e o pequeno neto Marcos Daniel de 9 anos. Família de educadores, esposo e todos os filhos são professores, lecionam nas séries inicias até o 9º ano do ensino fundamental na Escola da Aldeia (Escola Municipal Polo Coronel Nicolau Horta Barbosa). Da mesma forma que aprendeu com a Avó, Dina passou o conhecimento para sua filha Dilaine de 29 anos, nas horas vagas da sala de aula confecciona suas cerâmicas. Dina disse que na época certa vai ensinar sua netinha, a pequena Tamires hoje com 3 anos.

A Arte

Mesmo a produção da Cerâmica sendo uma atividade exclusiva das mulheres. Dina diz, que hoje na Aldeia já tem homens que produz pequenos objetos com o barro. Ela observa que não tem uma regra que determina que apenas mulheres podem fazerem a cerâmicas. E, destaca que depende do pensamento de cada pessoa, “a atividade não se limita apenas as mulheres, mais torna acessiva também aos homens”, diz a artesã.

Assim, comenta que o neto Marcos Daniel de 9 anos, sempre acompanha na produção e já começou a fazer pequenas peças com o barro. Dina diz que, para a mulher tem regra para fazer a cerâmica, como por exemplo, no período menstrual não podem produzir. Outras regras que cabem para os dois é o período de coleta do barro, que só pode ser tirado na Lua Cheia, e no período de Lua Nova não fabricam a cerâmicas, pois o barro não da liga e as peças ficam sem resistência, pois ficam muito frágil e quebram na hora da queima ou na hora da secagem e resfriamento.

A Cerâmica Terena

O significado da Cerâmica Terena para Dina se define, uma Cultura Ancestral que é passada de geração para geração e é um ícone fundamental que representa a identidade cultural do Povo Terena, “a Cerâmica, mesmo que não é muito utilizado hoje na cozinha, é feita como pratica cultural e representa a identidade do nosso Povo, e comercializamos como objeto decorativo e ganhamos uns trocados”, diz Dina.

Ceramista e feirante, Dina, divide seu tempo com a rotina na Aldeia e na cidade. Ela passa duas semanas em Campo Grande, onde trabalha nas feiras de rua, no final de duas semanas retorna para a Aldeia. Assim fica dois meses trabalhando na confecção das cerâmicas e na produção da roça. Na Aldeia divide seu tempo com as tarefas do dia-a-dia. No período da manhã cuida dos afazeres de casa, a tarde vai para seu cantinho especial e se dedica a produção das Cerâmicas, quando não esta trabalhando com o barro e nas horas vagas do esposo cuidam da roça, que é de onde colhe seus produtos que vende em feiras na Capital.

Feirante

Como feirante comercializa variedades de produto da roça e natural do campo. Como: Xupú (Mandioca), Kareo’ké (feijão), ko’eé (batata), soporó (milho), maxixe, quiabo, manga, pimenta, frutas do cerrado bocaiuva, guávira, cumbaru, jenipapo, pequi entre outros. Esposa, Mãe, Avó, Ceramista se dica aos cuidados da roça. É feirante, professora da disciplina de Cultura Tradicional e Ancestral. Tudo que aprendeu com a Avó e sua Mãe passa para os filhos e sucessivamente transmite aos netos, Companheira e Amiga sempre uma Mãezona pois com o mesmo carinho que criou os filho hoje cuida dos netos.

De um modo simples de se vestir e se comunicar, humilde sempre com o sorriso no rosto. Fala um português bem arrastado, que às vezes é difícil de nos entendermos em nossa conversa. Pois quando esta na Aldeia só fala no seu idioma. Assim se define Dina nome carinhoso que recebeu de sua Mãe Araci, exemplo de mulher Guerreira que luta todos os dias pelo bem esta de sua Família. Despede-se de nós, com um sorriso no rosto e a seguinte frase: ainapo’yakoé iboenú. (obrigado irmão).

Cultura Tradicional

O artesanato Terena é considerado umas das culturas mais Tradicional dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul. Na antiguidade os antepassados deste Povo tinham essa prática cultural. A exemplo da produção da Cerâmica para a utilização no cotidiano. Atualmente a Cerâmica tem um valor inexplicáveis para as Mulheres Terena. Para a sua manutenção o Estado (MS) fez o tombamento da arte como Patrimônio Cultural Imaterial, ou seja, patrimônio inatingível de MS.

Publicada no Diosul (Diário Oficial de Mato Grasso do Sul), em 2009. Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em 1954, por meio da “Carta de Haia”, durante a Guerra Fria, viabilizou acordo para proteção dos bens culturais em caso de conflito armado. Em 1972, houve a “Convenção do Patrimônio” para identificação do patrimônio material da humanidade. Ficou  definido como: Patrimônio Cultural Imaterial são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração. Que constantemente recriados pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana (IPHAN).

 

A produção da Cerâmica Terena

 

O barro é retirado de local úmido beira de córrego ou brejo, é colhido somente em período de Lua Cheia. É embalado em saco plástico e guardado em um local limpo protegido de luz solar. Para o preparo da massa é usada cacos de cerâmicas já queimadas, que é socada em pilão. O pó que recebe o nome de catipê, este é peneirado e misturado a argila virgem, misturada da à liga. Tem que ser feito longe da casa pois não pode ter uma migalha de alimento.

 

 

A partir dai começa a confecção das peças, pois chega a fazer seis por dia. Após aguardar um dia para firma o barro. Ai, inicia-se o acabamento, dando forma para o objeto, na sequencia faz o alisamento usando um pedregulho liso. Depois de alisada faz a pintura com Hararai’tí moté (barro vermelho), por quatro vezes. Acabamento final alisa novamente usando a nopoí (pedra).

 

 

 

As etapas


Vai para o sol secar por dois dias. Agora fazer a pintura de decoração com tintura de
hopuití moté (barro branco), a decoração da peça varia de família por família e depende muito da criação de cada mulher. Ultima etapa, hora da queima. Faz um buraco no chão forra com gravetos e lenhas, coloca as peças por cima e cobre com amis lenha. Para este processo tem uma lenha especial que Dina chama de peito de pombo. Ela diz que o fogo e as brasas desta madeira preserva a cor Hararai’tí das peças. Neste processo é queimada média de seis peças e dura tempo médio de meia hora. Final de produção aguarda resfriamento e faz a limpeza das peças. E estão pronta para usar como decoração ou até mesmo usar as panela para cozinha alimentos, igual faziam no passado, comento Dina.

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