terça-feira, 01 de dezembro de 2020

“Fantástico” mostra “caveirão” construído para atropelar indígenas no MS

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O “Fantástico”, da Rede Globo, trouxe em sua edição deste domingo (4) uma reportagem que mostra o uso de um “caveirão” por fazendeiro do Mato Grosso do Sul para atropelar indígenas – inclusive crianças e idosos. O caso estaria acontecendo no território Guarani Kaiowá, em Dourados.

O veículo foi feito a partir de um trator. Os indígenas denunciam que, com o veículo, casas são destruídas e pessoas são atropeladas. Eles fizeram um vídeo de uma investida do “caveirão” que foi apresentado no programa.

No mais recente relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre violência contra os povos indígenas no Brasil, com dados de 2019 e lançado na semana passada, há o registro de 35 conflitos relativos a direitos territoriais, 10 deles no MS.

O relatório traz a denúncia de “uma senhora indígena de 75 anos que teve suas pernas prensadas e quebradas por um trator blindado adaptado, que vem sendo utilizado pelos criminosos para destruir barracos indígenas durante a invasão do território”.

A reportagem mostra os conflitos rurais na região. Seguranças particulares rondam as casas do povo indígena em situação que, para eles, é de ameaça. Os produtores alegam que a ronda é para sua segurança.

Os indígenas dizem que é comum os seguranças usarem balas de borracha contra a população tradicional. Um indígena mostrado na reportagem tomou um tiro desses na cara, que quebrou os ossos de sua face e o fez perder o olho.

O procurador federal Marco Antônio Delfino atua no caso. Ele disse: “Ainda que sejam armas menos letais, elas, como comprovado, elas podem causar ferimentos de extrema gravidade”.

Os fazendeiros alegam que blindam  o trator para proteger contra pedradas quando estão arando a terra.

Conflito histórico

O conflito no local remonta a problemas originados logo após a Guerra do Paraguai. Lotes de terra do território Guarani Kaoiwá foram concedidos a fazendeiros, e a reserva demarcada para o povo indígena foi  reduzida a uma área em que eles não cabem.

Por isso, parte deles acampa em terras ao lado da área demarcada, construindo barracos que vão sendo destruídos pelos fazendeiros.

Uma ação judicial está em andamento para decidir a questão.

Fabíola Salani

Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

Fonte: Revista Fórum

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